Rádio Beatitudes

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dentre as velharias e quinquilharias guardadas na velha casa encontra-se um baú mais antigo ainda cheio de recordações. Recordações de um passado distante, recordações de outra vida. Uma vida que não foi por mim vivida, mas por outros indivíduos, que foram recontando -as de geração em geração. E como cada conto aumenta um ponto, talvez, tudo isso seja uma grande inverdade.

O Início

No início Deus criou os céus, as águas e as terras, mas a referida história não é desse início, é do meu. Porém, era uma terra onde corria leite e mel, assim como a terra de Adão e Eva...nessa terra todos tinham alimentos, ninguém passava frio, a natureza curava, não havia ninguém inferior a ninguém. Cada um tinha sua função, uns guerreava e protegiam a "casa", uns plantavam e colhiam, outros caçavam e cuidavam dos animais, enquanto outros cuidavam da alma. Todos trabalhavam e recebiam o que lhes era de direito. O guerreiro tinha o direito de comer o coração do mais valente perdedor ou escalpelar seu inimigo, o caçador tinha o direito de ficar com a melhor parte da caça, ninguém ficava desalojado, se davam em casamento, traziam seus rebentos a vida, enterravam seus progenitores.

A mudança

Tudo mudou em um dia nublado, ou seria ensolarado? Talvez, fosse uma noite de lua cheia e até  mesmo uma madrugada de tempestade. O que importa é que em certo momento houve essa mudança. Eles chegaram, vindos do distante  além mar. Tornaram-se donos da terra sem nem mesmo perguntar se os proprietários a doavam, estes não se importaram a terra era grande e produtiva, sustentaria a todos. Mas, eles vieram com uma conversa, de que eram civilizados e que vieram para conquistar o Mundo Novo. Como assim mundo novo, esse mundo é antigo, de tempos imemoriais, eles eram os novatos. Derrubaram as árvores, queimaram a pampa, fizeram buracos na terra, mataram os animais, construíram edificações de pedra, não sem antes tentar destruir o povo antigo. Estes se afastaram, eles conheciam cada árvore, cada riacho, cada perau da terra, mas logo os novatos os encontraram, mataram seus guerreiros com uma arma que cuspia fogo, prenderam suas crianças com estranhas argolas, raptaram e estupraram suas mulheres, puseram fogo nas casas, nas plantações e nos velhos. Mulheres viraram guerreiras, crianças peritas em arco e flecha, velhos preparavam armadilhas, homens  que antes eram inimigos pintaram seus rostos com a mesma cor da guerra, era preciso deixar de lado o passado, unir-se e sobreviver, buscar auxílio daqueles que antes tiveram contato com os seres pálidos, se é que estes existiam.

Ajuda dos seres pálidos

Sairam dessas bandas. Encontraram os tais seres pálidos que poderiam ajudar os rubros. Lá existiam muitos rubros, mas estavam diferentes, seus corpos eram inteiramente  cobertos por tecidos e penas coloridas e coa-habitavam com seres pálidos igualmente com os corpos cobertos por tecidos escuros, com um estranho adereço no pescoço, que se repetia pelo campo, nas edificações, nos cemitérios. Alguns desses adereços tinham  a figura de um homem pendurado nele. Parecia que ele sofria, assim como eles.





Nenhum comentário: