Rádio Beatitudes

domingo, 17 de março de 2013

Toc toc... Tem alguém aí?

Depois de alguns meses de muita correria, leitura, perda de tempo no tal Facebook e de "séculos" sem dedicar a menor atenção e carinho ao [Pretensa] Poetisa, principalmente devido a completa falta de inspiração nesse ser que vos escreve, eis que aqui retorno. E esse retorno se dá por motivos excepcionais...
Renúncia de um papa: algo que não acontecia a centenas de anos, eleição de um padre jesuíta e latino como sucessor de Pedro pela primeira vez. Acredito que esses dois acontecimentos são de uma importância sumária para nós católicos e ambos são exemplos de humildade a serem seguidos por todos. O primeiro exemplo a humildade  de Bento XVI que se expressa por meio do desprendimento , da não necessidade de ser o detentor do poder, ou melhor, não ser apegado ao poder. Conheço tantas pessoas que necessitam ter o poder em mãos, um cargo qualquer, um carro do ano, roupas da moda para sentirem-se felizes, apegam-se a coisas tão insignificantes que esquecem  daquilo que realmente importa, não conseguem perceber que não tem competência para tal coisa como se diz na minha terra "querem abracar o mundo com as pernas" (expressão inadequada, né), ou com o poder que lhes é concedido tenta prejudicar, humilhar as pessoas... isso em minha opinião não é poder: é ser escravo. Lembrei-me das aulas do primeiro período de Direito "poder é orientar a conduta de alguém", mas esse poder não tem utilidade nenhuma se eu oriento alguém a ter uma conduta errônea, destrutiva, o poder que a mim foi concedido deve ser usado para ajudar, e isso me leva ao segundo exemplo: a humildade de Francisco I, ainda não tive tempo de pesquisar sobre a vida dele a fundo, mas simpatizei de imediato com aquele sorriso simples e sincero e espero muito poder conhecê-lo em junho na Jornada Mundia da Juventude em que serei voluntária (mas isso é outro assunto que não tem nada a ver com o post). O que pude perceber de Francisco I é que ele é uma pessoa de uma simplicidade inacreditável, e sua humildade me parece incrível, com toda a certeza Deus orientou para que os cardeais fizessem uma boa escolha para a Igreja, me parece que esse pontificado será de grandes mudanças sem nunca esquecer-se da raiz, do objetivo da razão de ser da Igreja Católica: "uma Igreja pobre e para os pobres" são suas palavras, uma Igreja de amor, de perdão, de ação, de espiritualidade, de fé, de juventude, uma Igreja de Deus, cada vez mais... assim esperamos!

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto... nem Jesus conseguiu agradar a todos, imagina o pobre Francisco I...

Alguns dias atrás o pastor Marcos Feliciano,salvo engano, foi eleito presidente da comissão dos Direitos Humanos na Câmara o que causou muita revolta de inúmeros militantes dos direitos humanos devido as suas declarações "polêmicas" sobre os negros e homossexuais. O que por sua vez causou a revolta de alguns cristãos (evangélicos pentecostais), fui estudar um pouco sobre o referido pastor, afinal, como estudante de Direito isso me interessava e eu gosto de Direitos Humanos. Os evangélicos acusam os militantes dos direitos humanos de "cristofobia", havendo declarações em redes sociais que envolveram até o Vaticano, que não tinha nada a ver com o bolo... coisas do tipo " o novo Papa é contra os homossexuais, por que não invadem e não quebram o Vaticano também?" comparando o Papa com esse pastor, dentre outros descabimentos (na minha humilde opinião), portanto, sinto necessidade de expressar-me sobre esse assunto pois tenho duplo interesse. Li algumas declarações do pastor nas redes sociais, e percebi nelas não apenas contrariedade ao homossexualismo e ao negro, percebi profundo desrespeito, profunda falta de amor cristão a estes filhos de Deus com suas palavras. Acredito que há uma grande diferença entre você manifestar sua contrariedade, sua opinião e desrespeitar algo ou alguém. O Papa, a Igreja, os católicos são contra o homossexualismo, por entender que uma relação homoafetiva não está na ordem natural criada por Deus, mas também se entende que como pessoa este deve ser respeitado, e principalmente, amado. Pergunto pra você qual o maior pecado ser homossexual ou rejeitar um filho, expulsá-lo de casa por ele ser homossexual? Eu penso que seja o segundo. A Igreja defende os direitos de todos aqueles que são excluídos, marginalizados socialmente, e penso que isso se fortalecerá nesse papado. A respeito dos negros não há nem comentários fazer uma analogia de uma passagem bíblica pra justificar algo injustificável como o racismo não tem o menor cabimento, não tem lugar na moral cristã. Aqueles que chamam a Igreja de Roma de prostituta vestida de escarlate deveriam aprender com os erros cometidos pela mesma e não cometê-los, pelo menos não no século XXI.
Para finalizar vou contar uma experiência minha. Sempre fui católica e o serei até o meu fim, como tod@ brasileir@ sempre fui devota de Nossa Senhora Aparecida, desde criança sempre tive imagens dela em minha casa, certo dia  assistindo tv passou a propaganda de um programa com a seguinte chamada "Nossa Senhora Aparecida, crer ou não em uma santa negra?", até esse dia eu não tinha percebido que ela era negra,  e quer saber não fez a menor diferença para mim esse fato , sempre acreditei na sua intercessão e continuo acreditar até hoje, e o mesmo se dá com relação as pessoas que me cercam não percebo se são negras ou brancas e esse fato não faz diferença, o que importa é o que elas acrescentam em minha vida, o que elas me ensinam. Não concebo  e não compreendo o fato de um brasileiro ser racista, pois somos uma mistura, todo mundo tem sangue negro, branco e indígena em suas veias, ninguém aqui  e "puro".
Eu me orgulho de ter em minhas veias sangue dos índios Kaingang, sangue eslavo, sangue português, sangue espanhol, sangue negro.


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